
A perspetiva de educação para TODOS
constitui um grande desafio.
Enfrentar esse desafio é condição essencial para atender às expetativas
de democratização da educação no nosso país.
As bibliotecas escolares têm vindo a assumir um papel central, enquanto
recurso privilegiado das escolas no domínio da literacia, procurando que
todos os alunos tenham acesso a livros e a tecnologias de informação e
comunicação.
Contudo, face à crescente inclusão de alunos com necessidades educativas
especiais nas escolas do ensino regular, vêem-se hoje confrontadas com a
imprescindibilidade de responder a uma população escolar com
competências significativamente diversas e que requer, em muitas
situações, meios tecnológicos diferenciados de acesso à leitura.

O processo inclusivo não pode ser pensado como um trabalho concluído e
individual e, sim, como um processo contínuo, interativo e cooperativo,
no qual há a possibilidade de se partilhar experiências, tornando as
nossas escolas lugares privilegiados para se aprender sobre a inclusão,
sendo possível discutir e construir saberes na diversidade.
Como se preconiza na Declaração de Salamanca, as escolas inclusivas
devem reconhecer e dar resposta às necessidades diferenciadas dos
alunos, tendo em conta os diversos estilos e ritmos de aprendizagem,
assegurando a qualidade educativa através de currículos adequados, de
adaptações organizacionais, estratégias de ensino e parcerias com a
comunidade.
Proporcionar reais oportunidades de leitura para todos os alunos, é
talvez um dos maiores desafios colocado às bibliotecas que se pretendem
assumir como espaço de excelência para o desenvolvimento da literacia e
como garante da igualdade de oportunidades.

Sabemos que a leitura é um processo que se inicia antes da aprendizagem
formal e se prolonga no tempo. Esta acontece de forma múltipla: nos
ecrãs de diversos dispositivos e sob a forma impressa. Do simples prazer
de ouvir ler, na primeira infância, a criança vai gradualmente
percorrendo um itinerário, o do leitor, constituído por várias etapas.
Nesta progressão torna-se fundamental o acompanhamento, do modo a que
haja uma constante motivação que possibilite a construção do leitor e o
prazer de ler.
Neste âmbito, pretendemos desenvolver boas práticas de promoção da
leitura, tendo em conta as capacidades e necessidades individuais dos
alunos e dotar as bibliotecas escolares de recursos adequados, em
diferentes formatos acessíveis aos alunos com necessidades educativas
especiais, pois a formação do leitor é essencial para que os alunos
tenham a chance de poder, de facto, usufruir o que a escola tem a
oferecer em termos de conhecimento nas diversas áreas do saber, e dos
bens culturais que a sociedade produz hoje e produziu durante seu
processo histórico.
As atividades de promoção da leitura devem ser inseridas numa estratégia
global cujo objetivo deve ser sempre o de incentivar nas crianças e nos
jovens o prazer da leitura.

Quando falamos em leitura, emergem os múltiplos sentidos que podemos
atribuir ao ato de ler. Um dos mais belos e mais citados foi escrito na
variante brasileira da nossa língua pelo pedagogo brasileiro Paulo
Freire.
"[…] a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura
desta implica a continuidade da leitura daquele. […] este movimento do
mundo à palavra e da palavra ao mundo está sempre presente. Movimento em
que a palavra dita flui do mundo mesmo através da leitura que dele
fazemos. De alguma maneira, porém, podemos ir mais longe e dizer que a
leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo mas por
uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “ reescrevê-lo”, quer dizer, de
transformá-lo através de nossa prática consciente." (Freire, 1981).
in "Leitura com Sentido(s)" Projeto do
Agrupamento de Escolas da Batalha, no âmbito do Projeto Todos Juntos
Podemos ler